O louvor na Igreja Contemporânea e suas competências

1) Ministério ou grupo
Quando pensamos em uma equipe que fica responsável pela área da música pensamos em Ministério ou Grupo? Talvez a identificação de um ou outro esteja atrelada a conceitos específicos das mais variadas expressões cristãs espalhadas pelo mundo. Dependendo do que se interpreta por Ministério ou Grupo e os valores a que se dão a eles terão um ou outro sentido. A Bíblia, nosso instrumento de fé e prática associa Ministério a um ofício, algo que se faz e que também pode ser um cargo ou uma função. Isso pode ser verificado em inúmeras situações em toda a Escritura Sagrada, a exemplo do que ocorria no santuário (Êxodo 35:19; 1 Crônicas 9:13; 2 Crônicas 24:14); o Ministério dos profetas (Oséias 12:10) e o Ministério da Palavra, entre outros (Atos 6:8). O conceito de grupo, por sua vez se refere a certo número de pessoas reunidas em um mesmo lugar, não necessariamente desenvolvendo um ofício . As diferenças vão além das nomenclaturas, ou seja, o valor externo ou interno irá definir qual seja um ou outro.
Durante muito tempo o louvor tem sido parte integrante do culto cristão como um apêndice, como algo que faz parte da liturgia, entre os avisos e o momento da explanação da Palavra. Nesse sentido, as pessoas que integravam tal Grupo, realmente não passavam de um grupo, tendo em vista que a sua função era a de se preencher uma lacuna. Cantávamos os hinos do Cantor Cristão ou da Harpa Cristã de forma despretensiosa e quase como uma reza. Ultimamente a importância do louvor em nossos cultos, principalmente em meados dos anos 1980 com crescente ênfase nos anos 1990, tem aumentado fortemente. O senso de que podemos nos derramar e celebrar o nosso Deus se espalhou por várias denominações nos fazendo rever o conceito de louvor. Antes tínhamos um bom piano e uma partitura, hoje temos pessoas que tem a finalidade de proporcionar à congregação a iniciativa de que ele ou ela sentado em seu banco pode expressar um louvor agradável a Deus. Com isso o status de grupo sofre uma grande alteração, pois as pessoas que estão no púlpito passam a interagir mais e mais com a congregação, indo além da simples expressão do cantar. Ou seja, há interferência que ajuda a aproximar, sensibilizar e animar as pessoas. Essa compreensão é de grande importância, pois impacta principalmente na próxima etapa do culto, a ministração da Palavra, o louvor e a adoração passam a ser determinantes nesse processo, pois Palavra de Deus e Louvor se integram e se confundem.
Devemos considerar também que o nosso conceito completo deve denunciar quem realmente somos em nossas práticas. Talvez queiramos ser um Ministério, mas não passamos de um Grupo. Qual a nossa motivação por almejarmos participarmos desse Ministério? O que nos proporciona fazer parte de uma equipe destacada em nossas igrejas? Se pararmos para pensar, somos pessoas em evidência, pois estamos em posição muito próxima a de nossos pastores e líderes, temos em nossas mãos o poder de expressar, verbalizar, sermos o centro das atenções e isso é extremamente relevante para o sucesso ou não do exercício do nosso chamado.
E por falar em chamado, quantos de nós nos sentimos vocacionados a tocar um instrumento ou cantar, no entanto, quantos de nós sentimos chamados em fazer uma limpeza na igreja? Talvez tenhamos um orgulho santo em vestirmos uma camiseta escrita Ministério de Louvor fulano de tal, mas usaríamos uma camiseta com a inscrição: Ministério de limpeza da igreja fulano de tal… talvez você não saiba mas nós existimos.? A grande questão é que em muitos casos queremos ser um Ministério, mas agimos como Grupo. Mas como podemos ser de fato um Ministério? Quais são os elementos necessários para que individualmente e coletivamente possamos funcionar e sermos aceitos pela comunidade como referências e autoridade naquilo que fazemos? É importante destacar que temos além de um privilégio uma responsabilidade enorme em relação à congregação que nos vê como referência e sobre os quais ministramos. Isso é importante porque a resposta da igreja durante a ministração está atrelada entre outras coisas a forma como nos relacionamos com ela e isso nos bastidores, no dia-a-dia. Ou seja, é uma autoridade conquistada e não tomada a força.
Gostaria de dizer que o mais relevante de tudo é como vamos agradar a Deus, a nossa consciência de que fazemos parte de algo pelo qual Ele nos chamou e vamos fazer porque Ele deve ser glorificado. Essa foi a grande preocupação de Moisés em relação à Terra Prometida (Números 14:8). Com isto nossa perspectiva de Ministério torna-se prática a ponto de, independentemente do que fizermos o fazemos de forma racional e consciente como parte de um corpo amplo e que assim como há os que ministram louvor, há o que intercedem, há os que ensinam, há os que pregam, há os que cuidam das finanças, há os que evangelizam sendo que todos, fazemos parte do corpo integral de Cristo (1 Coríntios 12:12-31).
Nos passos a seguir vamos tratar sobre a nossa posição, responsabilidades e privilégios como ministros de louvor.
2) Porque ser ministro de louvorimage
Você já se perguntou acerca disso? Sobre o motivo pelo qual você quer fazer parte ou caso você integre um Ministério, sobre o que realmente você faz ou o que Deus quer de você desenvolvendo esse chamado? Você foi chamado? Bem, muitas são as perguntas. Mas gostaria de tratar da questão sobre a motivação de nosso coração. Quando pensamos em motivação, nos referimos as nossas intenções. Jeremias nos alerta que o nosso coração pode nos pregar peças terríveis (Jeremias 17:9).
Mas o que é mais agradável a Deus, o que sobe a suas narinas? O nosso louvor no púlpito ou de alguém que está sentado no banco, no meio da multidão? A resposta mais adequada seria: depende. Sim, depende de muitas coisas, depende de quem está lá na frente, de quem está no meio da multidão, sobretudo, depende de suas intenções. Nesse sentido ambos podem apresentar um louvor agradável a Deus, um ou outro ou nenhum dos dois. Lembremos do caso de Caim e Abel, será que Deus era carnívoro e detestava vegetais? Mais do que o aspecto externo Deus sabia do coração dos irmãos. O cheiro agradável aspirado pelo Criador ia além do aspecto da carne assada, o que entrava em suas narinas era o cheiro do coração de Abel. E isso é o que realmente importa. Deus vê o que não vemos e sente o que não conseguimos sentir, a nossa motivação (Gênesis 4:1-16).
Quais os atributos, qualidades que fazem com que estejamos na frente (no púlpito) e não sentados como a maioria? Serão nossas habilidades? Nossa capacidade? Nossa intimidade com Deus? Acredito que todos esses itens são de extrema relevância no que diz respeito à realização de nossa tarefa de maneira excelente, contudo poderíamos dizer que somos os mais hábeis, os mais capazes, os que têm maior intimidade com Deus? Pensando assim não seria presunção de nossa parte achar que Deus se relaciona conosco conforme esses atributos? Ou ainda que no meio da multidão, a maioria não está à altura de fazer o que fazemos? O próprio Jesus disse que aquele que quer ser o primeiro, que seja o último e servo de todos (Marcos 9:33-37).
A questão é que de certa forma um dia estivemos sentados no meio da multidão e porque sabíamos cantar um pouco melhor, ou tocar um instrumento um pouco melhor isso foi um pré-requisito para que pudéssemos fazer parte desse ministério. Isso é o básico, se precisamos de um taxista escolhemos dentre os candidatos aqueles que sabem dirigir, os que têm mais experiência, os que já dirigiram um táxi, os que conhecem mais dos que nem sequer sabem dirigir um veículo. Mas isso é apenas um pré-requisito, a primeira etapa, portanto. Posteriormente passamos por outras etapas a de crescer como taxistas. Em nosso caso, como ministros de louvor há algo extremamente significativo e que se somam as habilidades manuais que é o senso de responsabilidade sobre o que fazemos. Deus conhece o nosso coração e para Ele, sermos ministros de louvor ou zeladores, se o fazemos com toda a nossa força e com amor é agradável. Quando questiono sobre porque sermos ministros de louvor, o faço na intenção de saber se nosso coração está aberto para que sejamos ministros da intercessão, ministros do evangelismo, ministros da oferta voluntária, todas essas coisas muitas vezes ocultas e que não nos evidenciam.
3) Quem ministra
Diante do exposto acima quero discutir sobre quem ministra. Temos a tendência de pensar que o ministro de louvor é aquele indivíduo responsável pela direção do louvor, neste ou naquele domingo. Isso ocorre comumente em grupos que possuem escalas de ministração. É interessante essa alternância de pessoas que dirigem o louvor porque se tratam de elementos com características e expressões próprias, diferenciadas; vemos pessoas mais melancólicas, outras mais animadas, uns gostam de músicas mais de adoração enquanto outros ministros de louvor são extremamente voltados para músicas de júbilo e celebração.
Mas o que seria de um culto onde apenas houvesse adoração ou somente celebração? Esse equilíbrio é extremamente saudável para a igreja, pois além da questão de que o nosso louvor é para Deus não esqueçamos que nossa tarefa como ministros é a de sermos mediadores nesse processo, ou seja, somos colaboradores de nossos irmãos a fim de que adorem e celebrem a Deus. Lembremos que em linhas gerais somos os mais aptos, não sendo isso no sentido de melhores, mas no sentido de que somos conscientes do que estamos fazendo. É bom lembrar que durante o louvor, muitas pessoas que estão no culto são novos convertidos, não cristãos, pessoas com crises e isso exige de nós, habilidades para que possamos desempenhar nossa tarefa. Ou seja, há na congregação pessoas que gostam da celebração, mas há o que são adeptos da adoração e que para estes a celebração não é necessária, ou ainda dependendo do contexto da pessoa ela está mais ou menos sensível, por isso algumas pessoas não respondem ao louvor, ficam como se estivessem contrariadas e nos sentimos impotentes diante de situações como essas. Como somos chamados a isso, não podemos correr o risco de agir de forma isolada da igreja, mas buscá-los e levá-los conosco. O louvor tem que andar de mãos dadas com a igreja e se a igreja não nos acompanha devemos considerar as variantes que se tratam de pessoas e precisam de nossa ajuda.
Nossa tarefa é ensiná-los de que, embora no banco no meio da multidão, todos têm livre acesso a Deus por meio de Jesus (Romanos 5:2; Hebreus 7:19,25; 1 Pedro 3:18), portanto, ministros de Deus, habilitados a ministrar louvor a Deus. Muitos são desafinados, nem sequer sabem uma nota, podem ser analfabetos ou surdos-mudos, mas podem alcançar o coração de Deus, mais do que um doutor em música. Isso é que devemos considerar (2 Crônicas 7:14,15). Por isso é que cantamos congregacionalmente ao invés de cantarmos isoladamente, ou como uma apresentação; somos parte de um corpo, por isso é que cantamos em tons musicais acessíveis a congregação, para que todos possam cantar (Romanos 12:1-8).
Voltando a questão da equipe que ministra é bom que tenhamos em mente que todos ministram, e não apenas quem está no domingo à frente do grupo. Isso é relevante porque quando nos comprometemos com isso assumimos a responsabilidade da qual também temos. Às vezes parece que os músicos são apenas os músicos e o peso cai nos ombros de quem está à frente da ministração. E realmente isso pesa, pois exige certa habilidade encarar a igreja, dizer coisas para a igreja, sujeito a erros e tendo que ter jogo de cintura na hora em que as coisas não saem como planejadas. Devemos entender que o contrabaixista, o baterista, o guitarrista, o violonista ou backing-vocals, todos são ministros naquele momento e não apenas naquele momento, mas em todo o tempo, ou seja, um ministro de louvor não tira férias, ele continua sendo ministro de louvor quando desce do púlpito, assim como um pastor. É interessante essa questão porque às vezes a pessoa que ministra, o dirigente do louvor é confundido com o líder e isso nem sempre necessariamente acontece de fato, com isto, pessoas que não são evidentes podem estar à frente do ministério e isso é saudável porque ao invés de se centralizar em uma única pessoa o próprio ministério cresce a partir do exercício do potencial de cada um, ou seja, quem sabe o contrabaixista, por exemplo, tem um grande potencial para dirigir a igreja e por que ele fica numa posição mais escondida não se percebe o seu potencial.
O que quero dizer é que quando todos têm a mesma consciência de que o que fazem é ministrar ao Senhor a noção de pertencimento e não de isolamento permeia a equipe, ou seja, se um erra ninguém o sentencia porque se houve falha todos são responsáveis, talvez não de maneira imediata, como se alguém que canta fosse responsável pelos erros do que toca violão, mas de outra forma todos são responsáveis uns pelos outros e isso é expressão de unidade, pois ambos estão juntos no mesmo barco e ninguém faz nada individualmente, de outra forma o ministério não passará de um grupo que mais cedo ou mais tarde irá desmanchar (Efésios 4:1-6).
4) A Palavra de Deus
Gostaria de tratar esse ponto com carinho, pois é da Palavra do Deus a quem servimos que nosso louvor gira em torno. Cantamos a Palavra de Deus e isso é uma ordenança (Salmos 150:6), os textos que estão na Bíblia e como foram elaborados seja de forma literal ou adaptados para os nossos cultos são para o Seu louvor (1 Crônicas 16:9; Salmos 105:2). Falamos as verdades de Deus, Seu amor, Seus feitos; exaltamos a Sua Glória, nos deleitamos lembrando as promessas de Deus àqueles que o servem de todo o coração (Salmos 138, 145,146,148). Isso é formidável porque proclamamos uma verdade que jamais pode ser negada, a de que Deus Reina (Salmos 47:8, 93:1, 146:10). Somos privilegiados em termos harmonias, melodias e ritmos dos mais variados e usamos isso como expressão de nossa gratidão por tudo o que Deus tem feito pela humanidade desde o início de tudo até nossos dias atuais e em nossas vidas (Salmos 136). Quando dizemos que Ele é reconhecido entre as nações dizemos que não há nada além e que por intermédio dEle todas as coisas se fizeram, o entronizamos e exaltamos (Isaías 40). Jesus é a Palavra de Deus, a ação de Deus que nos alcançou, ele se deslocou, agiu, deixou o seu trono de Glória e nos aproximou do Pai (João 1). Ele é o exaltado e sua Palavra diz que todo joelho se dobrará e toda língua declarará seus feitos reconhecendo nele o poder e a glória (Filipenses 2:10,11).
De forma geral é sobre isso que o ministério de louvor está com seus alicerces firmados, sobre conceitos profundos da Palavra de Deus, não apenas a letra, mas revestidos da sabedoria de Deus que os capacita a viver tais verdades. Não podemos como ministros de louvor simplesmente saber a Bíblia como mera decoreba, mas seus princípios têm de ser penetrantes causando-nos constrangimento quando necessário, vergonha outras vezes e nos conduzindo a arrependimento constante (Hebreus 4:12), pois como pecadores que estão aos pés da cruz, necessitamos da ação poderosa de Deus e é sua misericórdia que não permite que sejamos destruídos, por nós mesmos ou por satanás (Lamentações 3:22; Mateus 4:1-11).
A Bíblia, então, mais do que textos, histórias, poemas e música é o instrumento de Deus para que possamos d’Ele nos aproximar (Isaías 2:3). Se somos ministros de louvor, também o somos da Palavra de Deus, talvez não sejamos pregadores conceituados, mas temos a Palavra que liberta e esse é o nosso instrumento, nossa principal ferramenta. Isto significa que cantar por cantar não é o nosso objetivo, devemos buscar um equilíbrio constante e persistente entre a música e a letra e esta em concordância, sobretudo com o nosso estilo de vida. Se cantamos o amor, vivamos o amor.
Em muitas situações deixamos de cantar sobre o perdão porque não conseguimos perdoar, sendo que a saída é buscar em Deus a solução e então cantar sobre o perdão e perdoar ou ser perdoado. Por isso não é possível um ministério de louvor que cresça de forma saudável sem que a Palavra de Deus possa ser profundamente entranhada na mente e coração de cada integrante, pois é Ela que nos ajudará nos momentos de conflitos e crises que podem acontecer em tempo e fora de tempo. Senão como conseguir suportar uns aos outros? Como superar os momentos de estrelismo ou críticas, ou perdoar as faltas alheias? Sabemos o que cantamos? Entendemos o que cantamos? E isso não só em nível de grupo, mas atingindo a igreja como um todo.
Será que a igreja vê claramente a Bíblia estampada em nossos rostos, no sentido de que aquilo que é dito no momento do louvor é realmente uma verdade que pode me acompanhar quando de lá eu descer? Ou ainda, nossos amigos e familiares têm de ser impactados pela Palavra que está dentro de nós. Não me refiro a chavões, expressões que só os crentes usam o famoso evangeliquez; que mais afasta as pessoas de nós, mais atrapalha que ajuda, mas me refiro ao que está por traz disso, às vezes sem sequer dizer uma só palavra estamos comunicando a Palavra de Deus, sem condenação ou julgamento, exercendo o ministério de resgate iniciado por Jesus. É isso o impacto da Palavra sobre o ministério de louvor, você e eu podemos ser tão cheios de Deus que podemos expressar o amor de Deus em todo o momento, em nosso trabalho, escola, no trânsito, ajudando quem precisa, pensando o bem e tudo isto na maior parte das vezes fora do púlpito e isso é realmente interessante porque o tempo do louvor no máximo dura 1 hora e, no entanto na maior parte de nosso tempo estamos fora do ambiente que muitos podem ver como uma proteção; passamos mais tempo com não cristãos que propriamente com crentes e é aí que o nosso ministério também está sendo exercido, é aí também junto com Deus, trazendo a presença de Deus para o nosso ambiente, pois onde estamos, o que vemos, como ouvimos, sobre o que falamos, como agimos está ou deve estar cheio de Deus, é nessa hora que Ele está na maior parte do meu e do seu tempo querendo ser entronizado. Mais do que microfones e instrumentos de última geração, lá na fábrica ou no escritório, sem música é que eu e você louvamos e ministramos ao Senhor. Mas isso só é possível quando a Sua palavra impregna o nosso ser. Portanto, ministremos ao Senhor, proclamemos as suas maravilhas e que aquilo que nos traz esperança possa vir a nossa memória de maneira constante rasgando o céu e que Deus possa inspirar o que fazemos e dizer: realmente isso é bom.
5) Oração
Outro elemento fundamental é a oração. As palavras oração, orar são descritas na Bíblia por mais de 100 vezes em diversas situações e isso não é apenas um dado estatístico despretensioso, mas que se alia a relação do ser humano a Deus. Por isso é imprescindível a todo cristão independente de ministério, orar, pois é falar com o seu Criador; é um meio eficaz de comunicação com Deus, seja para pedir, agradecer, ou interceder.
Não vou discutir formas ou motivos pelo qual seja de suma importância a oração. O que vale ressaltar é que por meio da oração nós falamos com Deus, Ele fala conosco e isso interligado com a ação da sua poderosa Palavra (1 Samuel 22:7; Salmos 34:15; Isaías 59:1; 1 Tessalonicenses 5:17). Mas se para uma pessoa comum, sem maiores responsabilidades isso é fundamental para a sua sobrevivência, quanto mais a nós que temos um nível maior de responsabilidade, devemos nos aprofundar nos domínios da oração. Isso significa ter ciência da guerra espiritual que travamos, a nossa luta não é humana, mas é espiritual, ou seja, caminhamos agora para um outro nível de entendimento de que o louvor não é apenas uma cantoria entre o início do culto e a Palavra, mas é um instrumento de Deus para exaltação do próprio Deus, mas quando fazemos isso o inferno estremece e isso quer dizer que estamos diante de coisas espirituais (Efésios 6:10-20).
Satanás, o inimigo derrotado de Deus está ao nosso redor tentando atrapalhar o projeto de Deus, querendo destruir vidas (1 Pedro 5:8). Quantos de nós já conhecemos pessoas que se afastaram de Deus e estão caminhando rumo ao inferno e que em momento anterior estiveram do lado de cá, ministrando a salvação de Deus? Quantos ex-ministros da Palavra de Deus, ex-evangelistas, ex-pastores e em nosso caso, ex-ministros de louvor que em determinado momento estavam fazendo a vontade de Deus e descambaram para o outro lado? Eu sou um exemplo disso. Muitas belas vozes, muitos bons instrumentistas, muita palavra cheia de unção, muita beleza exterior e, no entanto, não sabemos como, abandonaram o primeiro amor e deixaram de lado o que mais lhe dava prazer.
Orar nesse caso é extremamente necessário porque quando nos chegamos a Deus reconhecemos que há um acima de nós e que nosso brilho é ofuscado pelo brilho da glória de Deus, somos instrumentos d’Ele e sem Ele nossos talentos de nada valem (Êxodo 24:17, 40:34; 1 Reis 8:11; Salmos 19:1; Lucas 2:9; Atos 7:55 e 2 Coríntios 3:18). Nossa oração deve ser para que não desviemos nossos olhos do Autor e Consumador da nossa fé (Hebreus 12:2). Nossa oração deve ser para que não percamos de vista a batalha espiritual e que lutamos contra o enganador e sedutor que pode em fração de segundos até mesmo com um: “Você cantou bem…eu vi a glória de Deus sobre você!”, vindo de alguém ao final do culto, se transformar em sua mente: “Deus me usa… eu sou o bom, ninguém toca melhor do que eu, sou insubstituível…!”; coisas que por incrível que pareça achamos que nunca irão nos alcançar por que achamos sem presunção que somos espirituais e que por isso mesmo nunca agiremos de forma arrogante, por isso sigamos o conselho de Paulo (2 Coríntios 11:16-33).
A oração nos ajuda a ver como Deus vê, pois se estamos com problemas de relacionamento, por nós mesmos não podemos fazer nada, mas pedindo que Deus faça a vontade d’Ele iremos agir segundo os seus critérios (Romanos 3:9-20). A oração também nos ajuda a agir em fé, pois ministramos e proclamamos verdades que virão, por mais que as situações ao nosso redor possam dizer e nos convencer do contrário (Hebreus 11:1; 1 João 5:4). Um ministro de louvor precisa ser ousado e ter acesso a Deus a fim de ministrar com autoridade. Um ministro de louvor não é apenas um tocador de instrumentos, mas é agente de Deus no meio do seu povo. Caso você seja apenas um backing-vocals, ou um baterista, um tecladista, um violonista, saiba que você é mais do que isso, você é ministro de Deus para tocar o coração de Deus e para ajudar os que estão ao seu redor, a sua igreja a conhecer do amor de Deus através do louvor e adoração, por isso ore, ore ardentemente para ser cheio de Deus e que ao tocar o seu instrumento possa haver unção de Deus poderosa sobre a sua vida e que o seu som possa ser agradável aos ouvidos de Deus (1 Crônicas 16:11; Salmos 34:15; Efésios 6:18). Ore por cura, ore por libertação, ore por salvação, ore por restauração, conheça as pessoas de sua comunidade, conheça suas necessidades, libere perdão e, sobretudo peça a perfeita e agradável vontade de Deus venha se cumprir em sua vida. Portanto, ore sem cessar para que Deus complete a boa obra que começou, use o seu ministério em sentido amplo, ore, ore, ore.
Algo importante e que não podemos deixar de fora é que a nossa relação com Deus através da oração possui influência sobre os demais, sobre os que ministramos. Isso quer dizer que quanto mais próximos de Deus isso será sentido pelas pessoas assim como o contrário. Nossas atitudes, ações denunciam nosso estado emocional e espiritual, sendo que há coisas que podemos esconder por tempo determinado e como fazemos parte do grupo de pessoas que estão entre os mais evidentes na igreja isso pode afetar profundamente a vida dos demais tanto de maneira positiva quanto negativamente. Por isso é necessário oração constante porque temos lutas constantes, decisões, necessidades, conflitos, todos constantes, mas como lidar com isso de maneira a transparecer a igreja que somos mais que vencedores?
Muitos nos vêem como aqueles que estão um passo a frente, que nada de mal nos acontece e que sempre temos uma Palavra de Deus e às vezes acreditamos nisso e é aí que reside o perigo da auto-suficiência, mas a oração nos coloca no lugar certo, debaixo do querer de Deus, mas temos que apesar de tudo ministrar e motivar, sim, temos que estar a frente, pois há piores que nós, pessoas com problemas maiores, em muitos casos elas mesmas são os seus próprios problemas, e precisam ser guiados. Mas motivar os demais não significa fingir que tudo está bem quando não está; isto seria vender um produto, um evangelho que não existe, mas a nossa postura é a de encarar a nós mesmos, os nossos medos, as nossas falhas, os nossos sonhos, expectativas e perspectivas e aliados em oração, transformar a nossa situação, às vezes os problemas continuarão, mas como lidamos com eles é que fará com que nossa postura como ministros de Deus nos proporcione exercer a autoridade conferida por Ele. Ou seja, o reconhecimento e aceitação de nossa autoridade estão atrelados a isso, mais do que se cantamos ou tocamos bem. Qualquer um pode tocar ou cantar bem, basta treinar, mas uma vida de autoridade que seja influência para o bem só acontece com intimidade com o Senhor. Por essa razão o que devemos ter em mente é que não somos apenas corpos que tocam instrumentos no culto, pois se assim fosse, caso Deus requeresse de nós isso, que parássemos de cantar ou tocar instrumentos e ficássemos no banco, como responderíamos a Ele? O que faríamos? Caso a nossa motivação seja isso somente, estamos sem nada e nos desviaremos sem que demore, na verdade nos desviaremos sem ao menos termos nos convertido. Oremos, pois.
6) Jejum
Um grande aliado sem precedes da oração é o jejum. Mas o que é e para que serve o jejum? O jejum entre tantas finalidades está diretamente relacionado à batalha espiritual, lembrando que devemos ser sóbrios quanto a este tema, sem querermos sair esmurrando demônios por aí ou vendo o diabo em tudo.
Batalha espiritual é um fato tão concreto quanto a existência de céu e inferno, coisas que para nós ficam difícil de mensurar, mas que fazem parte da nossa fé e não temos outra escolha senão aceitarmos pois é nesse nível que nos movemos. Certa vez disse Jesus que havia tipos de demônios que eram expelidos somente com a dupla dinâmica oração e jejum (Marcos 9:14-32). São coisas de outro nível e que exigem nosso posicionamento em outro nível, o do invisível e sobrenatural (Efésios 6:12). Por isso da importância do jejum, por que jejuar não faz parte do nosso dia-a-dia, não estamos acostumados a ficar de pé, trabalhar e termos uma vida com qualidade se não nos alimentarmos, ninguém agüentaria ficar muito tempo sem se alimentar, pois seus órgãos mais cedo ou mais tarde iriam entrar em falência e porque é de nossa natureza isso. O jejum por sua vez nos coloca em posição de abstinência de algo que nos supre e nos mantém vivos, nos tornamos fracos fisicamente, alguns debilitados, com tremores, taquicardia e até mesmo dificuldade em pensarmos, tudo isso decorrente da falta adequada de alimento em nosso corpo (Salmos 109:24). Mas essa fraqueza no corpo nos aproxima de Deus, pois se quando alimentados nosso corpo e mentes estão em equilíbrio, em jejum é como se perdêssemos o nosso chão, o nosso apoio e precisamos de auxílio e é em Deus que nosso espírito vai buscar ajuda (Joel 2:12). Por isso é que sempre se aconselha aliado ao jejum, uma atividade menos agressiva, uma mudança de rotina, para que se desgaste menos o corpo que está carente. É aconselhável que durante o jejum o indivíduo tenha mais tempo de oração e leitura da Palavra de Deus para que sua mente se ocupe de Deus (Jeremias 36). Isso é importante porque o jejum não pode ser confundido com greve de fome, mas ele deve ser acompanhado de reflexão e meditação na Palavra de Deus. Há muitos que confundem jejum com deixar de comer. O jejum feito dessa forma é mero desgaste para o corpo, mas um jejum consciente é parte da vida de quem o faz e que sabe que deve fazer por que entende o grau de importância em sua vida e segue um exemplo do próprio Jesus (Mateus 4:1-11). O jejum acompanhado de uma vida santa e de arrependimento produz resultados que às vezes não esperamos, mas que Deus quer compartilhar conosco (Esdras 8). Certa vez Jesus disse que quando jejuassem não chamassem a atenção, que o fizessem como se não tivessem fazendo e isso é interessante, pois o foco não sou eu ou você, mas a ação de Deus sobre nós (Mateus 6:16).
7) Comunhão
A comunhão deve ser marca do louvor, mas não só isso é algo que nos acompanha como cristãos, essa era uma característica da igreja primitiva (Atos 2:42). Não deveríamos subir no púlpito caso isso seja uma falsidade e isso é abominável segundo os olhos de Deus (Salmos 101:7).
Ou seja, o risco é muito grande que corremos quando cantamos coisas que não são verdadeiras e isso pode acontecer com qualquer um de nós. Vivemos em um momento que diferente do contexto do Antigo testamento em que Deus fulminava literalmente o indivíduo que a Ele se chegava com fogo estranho, porém, hoje a falsa impressão de que não seremos torrados vivos pode nos enganar nesse sentido, mas não podemos perder de vista que o mesmo Deus que é amor é um Deus reto e justo e nossa postura de adoradores deve ser sempre a de que estamos nos reportando a Deus (Deuteronômio 15:21; Salmos 4:5; 27:6; 107:22; 116:17; Provérbios 21:3; Hebreus 11:4; 13:15,16).
A fim de preservar o louvor, às vezes passamos por cima de coisas mal resolvidas e que achamos que ninguém irá perceber. No entanto a comunhão tem de ser estabelecida por que também está no nível espiritual (1 João 1:3; Apocalipse 3:20). A comunhão estabelece que o nosso amor pelo próximo seja o mesmo que sinto por mim e isso não apenas de palavras, mas em ações. Jesus, nosso Deus disse que devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos (Marcos 12:31). Com certeza em nossos grupos possuímos afinidades com algumas pessoas mais do que com outras e isso é uma questão. A outra é não manifestarmos amor por quem compartilha conosco do ministrar de Deus. Não podemos confundir amor com sair abraçando todo mundo, alguns não gostam de abraçar e nem por isso não estão amando, isto são expressões. O diabo, nosso inimigo é o semeador da discórdia, da amargura, da inveja, da calúnia e a unidade é detestada por ele (Jó 1:9-11; Zacarias 3:1; Mateus 13:19,38,39; Lucas 9:42; João 8:44; 13:2). O próprio Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) trabalha em harmonia e é a Ele que seguimos e vivemos, nosso modelo maior de doação está em Jesus e isso ele quer que o imitemos, se somos cristãos, seus seguidores devemos agir escolhendo o melhor para o outro e isso vai além dos nossos sentimentos, dar é algo que não nos motiva principalmente a alguém que julgamos não merecedor, eis a verdadeira comunhão (João 3:16).
Temos em nossos cultos o hábito de sair de nossos lugares e abraçarmos uns aos outros, a questão é: isso é apenas um momento ou é algo natural, que sentimos realmente vontade de abraçar esse ou aquele irmão ou visitante? Fora isso como tem sido a nossa comunhão? Temos ajudado o necessitado que senta ao nosso lado (Deuteronômio 15:7-11)? Temos ligado durante a semana para dar um: “oi, só liguei para dizer que você é benção em minha vida!” ou “vamos ter um tempo de oração juntos?”, ou “Que tal comermos uma pizza?”, às vezes dizemos que amamos em canções, mas como transformar isso em realidade? Deixo essa pergunta para reflexão.
A comunhão também vai além das fronteiras do ministério de louvor, lembrando que podemos ter uma bela camiseta com um belo nome ministério fulano de tal e não passarmos de um grupo musical, uma banda qualquer, e a comunhão também têm haver com isso. Por quê? Porque não é possível apenas termos comunhão com os nossos pares (aqueles com quem convivemos) nossa comunhão deve ser extensiva a igreja como um todo. Não somos o ministério de louvor de um lado e a igreja que nos siga se quiser de outro, somos o corpo de cristo e estamos nessa, juntos. Aliado a isto seria interessante pensarmos um pouco sobre o momento da ministração do louvor propriamente. Qual a nossa relação com a igreja, aqueles que ficam lá embaixo seguindo o que cantamos? Acredito que se seguimos a perspectiva de que não somos artistas e de que nossos irmãos não estão lá embaixo vendo a um show, entendo que somos todos aliados e jogamos no mesmo time. Isso às vezes passa despercebido e não temos a habilidade de entendermos que a igreja em sua grande maioria, diferente de nós não detém ou pelo menos teoricamente é menos experiente que nós. Lembremos, no sentido de responsabilidade acerca do que estamos fazendo, se bem que isso é questionável sendo que sentados nos bancos podemos encontrar pessoas que embora não cantem bem ou não toquem sequer uma campainha sem desafinar, podemos encontrar sim pessoas em um nível elevado de relacionamento com Deus e é essa também nossa tarefa, não significa que todos serão ministros de louvor, somos como professores e eles os alunos e os estamos ensinado a se relacionarem com Deus através do louvor e da adoração. Nesse sentido cabe a nós agirmos com amor e em amor sobre aqueles a quem ministramos.
Às vezes nos angustia ministrar o louvor principalmente naqueles dias em que parece que tudo conspira contra nós, como se as coisas saíssem travadas, sabemos que há muitos motivos, mas em se tratando do aspecto que discutimos nesse tópico, devemos compreender que a nossa atitude é definidora para o bom andamento do momento em que o louvor está sendo ministrado e é nessa hora que devemos considerar também a igreja como aliada ao invés de estimularmos a inimizade. Isso acontece em casos que o ministro de louvor parece que está se matando para que as coisas aconteçam e a igreja não entende a comunicação, cantamos músicas de celebração e a igreja se mantém estagnada, podemos prematuramente por as coisas a perder se no momento do louvor transferir a responsabilidade para a igreja, ela por sua vez não se sentirá culpada, pois na sua idéia os profissionais são os que estão lá na frente e embora para os que estão ministrando tudo esteja ruim para a maioria pode estar bom, só uma minoria realmente percebe que durante a ministração algo está ruim.
Esse é um prisma da comunhão, em que a equipe chama para si a responsabilidade mesmo quando as coisas vão mal, mesmo quando o louvor parece pesado e não passa do teto do templo. Caso a equipe tenha um nível de relacionamento profundo com a igreja em grau de empatia e gozando de respeito e consideração, sendo reconhecida de fato como autoridade, quaisquer contratempos por parte do louvor serão desconsiderados, pois a comunhão entre os membros da equipe com a igreja supera quaisquer falhas. E isso é conquistado nos bastidores mais no dia-a-dia do que no púlpito. Nossa santidade se estabelece em meio às relações e os resultados de uma ministração bem sucedida e que cause efeitos a médio e longo prazos ocorrem no vínculo que fazemos com as pessoas em nossa comunidade, pois mais do que apenas pessoas que seguem nossas ordens e orientações devemos estimular que nossos irmãos sejam livres para adorar e não dependentes de nosso ministério, não esqueçamos que somos cooperadores no Reino de Deus, servindo a Deus e proporcionando aos demais uma oportunidade de aproximação com o nosso Pai (1 Coríntios 3:1-9; 3 João).
Ceia do Senhor
Em relação a esse ponto gostaria apenas de tratar de que a Ceia do Senhor é para nós o que dela compreendemos. Podemos saber muito bem o que aconteceu na Última Ceia, podemos celebrá-la todo mês e quase como um desafio, para nós é pararmos para pensar sobre nossas atitudes e nossa relação com Deus. Normalmente nesse dia nos arrependemos do bloco de pecados que temos e nos preparamos para o próximo mês. No entanto, a ceia é representativa no sentido de coletivamente lembrarmos o sacrifício de Jesus e fazendo isto até que Ele venha (Lucas 22:7-23; 1 Coríntios 11:17-34). Ela é marcante porque nos aproxima de Deus, não que o pão e o vinho tenham algum tipo de poder sobrenatural, mas o ato revela quem nós somos em Deus, ou seja, cada vez que fazemos isso estamos conscientes do projeto de Deus para a humanidade e o amor profundo que o fez sacrificar a seu próprio filho em favor de nós (Isaías 53; João 6:33,35,50).
Portanto, mais do que um sacrifício, assim como o jejum, a Ceia deve ser uma ação espontânea de nossa parte, ou seja, o fazemos porque sabemos o que fazemos e não somos constrangidos a cear como orar, ler a Bíblia, jejuar, mas também não somos forçados a comer, beber água, descansar, dormir, é uma necessidade. A nós que ministramos louvor é imprescindível saber que a Última Ceia de Jesus e seus discípulos às vésperas da páscoa antecediam o sacrifício na cruz e é a isso que está ligada e é a isto que também estamos conectados. Por isso cada vez que eu e você tomamos a ceia o fazemos conscientes e refletindo a profundidade desse ato. Não deixe de tomar a ceia porque você falhou ou se sente pecador, mas concerte-se com Deus e mude a perspectiva, tome a ceia e faça parte do corpo.
9) Batismo
O que está por detrás da imersão, ou seja, descer às águas um velho homem e emergir um novo homem, além da questão de um divisor de águas literalmente, antes e depois da água é justamente a questão de que estamos publicamente declarando em quem nós cremos (Marcos 16:16). Na antiguidade o batismo servia para que se soubessem a que tipo de credo se servia , com a crescente perseguição da Igreja Cristã o batismo se torna um risco, pois admitir que seja membro de uma religião considerada ilícita para o Estado Romano era como estar assinando a própria sentença de morte . Com o passar dos tempos e com a oficialização da fé cristã o batismo passou a ser cartão de entrada para pertencimento de um grupo; ser batizado significava que um grande passo para a salvação estava sendo dado e salvação naquele contexto era estar debaixo da autoridade da fé romana.
Sabemos, contudo que segundo a Bíblia, o batismo não é elemento essencial para a nossa salvação que é procedente unicamente na fé que temos em Jesus como único e suficiente salvador (Lucas 19:10; João 3:17; Atos 4:12; 16:31; Romanos 8:24; 1 Coríntios 15:2; Efésios 2:5; 1 Timóteo 1:15; 2:4; Tito 3:5). Isso não significa que se o aceitamos não precisamos ser batizados, muito pelo contrário, hoje o conhecemos e crescemos e nos aprofundamos em conhecê-lo, e à medida que vamos tendo acesso mais profundo a Verdade nos tornamos inevitavelmente responsáveis pelo que aprendemos e isso diz respeito ao batismo, que embora não seja necessário para salvação é imprescindível para nossa compreensão do projeto de Deus para nós, pois se temos convicção de nossa fé porque não confessá-la publicamente, ou demonstrar que enterramos o velho homem e estamos dispostos a seguir um novo caminho? (Atos 6:7; 12:24; 16:5; 19:20; Romanos 10:17; 2 Coríntios 10:15; Efésios 4:15; Colossenses 1:10; 2 Pedro 3:18)
Ser batizado, no entanto não produz transformação imediata e nem esse é seu objetivo, mas em parceria com uma vida sóbria de oração, leitura e estudo da Palavra de Deus, nos tornarmos cada vez mais lúcidos acerca do caminho que seguimos. Lembremos que o próprio Jesus foi batizado (Lucas 3:21,22), mas diferentemente do batismo de João que era para arrependimento (Lucas 3:1-20) o fez para que se cumprissem as Escrituras (Lucas 22:37; 24:44; Efésios 4:10). Essa questão de lucidez é fundamental para que compreendamos que é preciso que o indivíduo seja preparado para o batismo e que este não seja confundido com um banho no batistério, pois apesar de se ter a mesma origem de terminologia o batismo cristão remete a algo mais profundo, é uma passagem, mas que tem de ser coerente com mais elementos da vida cristã, por isso não basta batizar, é preciso saber o porquê, para que e como seguir em frente. No entanto, não devemos procrastinar em relação a isso, ou seja, em muitos casos não nos achamos preparados, o que atesta entre outras coisas que ou não estamos compreendendo o que Deus quer ou sabemos que é algo sério e não queremos nos comprometer (Leia o texto que trata do encontro de Filipe e um eunuco etíope em Atos 8:26-40). Por isso haverá o tempo de se batizar, mas faça isso de força inteligível, compreenda o que as Escrituras querem nos dizer sobre isso, mas não demore, não deixe para segundo plano, pois há coisas que caminham juntas com o batismo e outras que são decorrentes dele. De outra forma como iremos falar aos outros sobre isso se não o fazemos? Seria o mesmo que dizer que comer pão integral faz bem à saúde, sem ao menos ter comido uma fatia, apenas por ter lido artigos sobre o assunto. Pensemos acerca disso, oremos e com certeza Deus irá nos orientar.
10) Dízimos e ofertas
O conceito de ministrar é extremamente amplo e nele se insere a questão do desprendimento: A maneira como lidamos com aquilo que Deus nos emprestou (1 Crônicas 29:11,12). Mas dizimar funciona como um certificado de garantia de que tudo em nossa vida financeira está bem? Não necessariamente (Mateus 23:23). E os outros noventa por cento? Como lidamos com eles? Normalmente em nossas igrejas somos instruídos a ofertar e dizimar, mas dificilmente se fala sobre os noventa por cento que ficam em nossas mãos, ou nas mãos dos nossos credores e isso é um grande problema, pois os noventa por cento também são do Senhor (Deuteronômio 10:14; Salmos 24:1 e 1 Coríntios 10:26).
Às vezes é mais fácil dar os dez por cento e que a igreja se vire apenas apresentando as notas do que se fez com os meus dez que nesse caso se quero e exijo que me passem a prestação de contas então eu estou emprestando a Deus. Pode não parecer, mas é assim que funciona, mas e os noventa por cento? “Desses nós cuidamos”, podemos pensar e tentar administrar de forma enganosa, mesmo com a maior das boas intenções. Ofertar-dizimar e cuidar dos outros restantes que ficam conosco que é na verdade a maioria é um ato de adoração e podemos fazer disso um ato de louvor a Ele. Um exemplo disso é a orientação que Deus nos dá para ajudar o próximo e isso o fazemos com o que nos restou em mãos (Levítico 19:18; Provérbios 28:27; Lucas 10:29; Gálatas 2:10). Podemos então ser dizimistas e não sermos prósperos, e aqui quero explicar um pouco sobre uma faceta da prosperidade que quase nada ou nunca se fala a da prosperidade integral e ampla (Lucas 18:9-14). Deus quer que eu passe necessidades? (Salmos 9:18; 72;12; Atos 4:34). A sua palavra diz que um justo não mendiga o pão, mas está amparado por Deus (Salmos 37:25) mas isso não significa que vai estar materialmente sempre em abundância como comumente pensamos. Paulo, o apóstolo foi extremamente próspero, porém não teve uma vida de rei conforme nossos parâmetros ( 2 Coríntios 8; 11:16-33; 2 Timóteo 4:6-18).
Possuímos um conceito materialista de que aquilo que possuímos demonstra quem nós somos e muitas vezes isso em nossas igrejas é confuso, pois nem sempre assim Deus age. Durante muito tempo se pensou que Deus estivesse do lado daquele que não possuía enfermidades, fosse rico materialmente, dono de muitas posses, mas o que dizer de nossos irmãos que vivem de forma quase desumana em países pobres do continente africano e asiático? Será que Deus os abandonou, será que o Deus da prosperidade que cuida de seus filhos no Canadá, com todo conforto material não é o mesmo? Qual o nosso parâmetro de prosperidade? Pensar em prosperidade integral é buscar o equilíbrio. Não creio que se Deus nos possibilitou termos as coisas materiais devamos desperdiçá-las, acredito que ser extremista nesse caso seria agir de forma sem sabedoria (Lucas 15:11-32) , mas com certeza se Deus nos proporciona bens e recursos materiais também o é para que possamos com isto ampliar a nossa percepção do que Deus quer com isso. Compartilhar seria a questão e isso significa que somos um braço de Deus com os recursos que ele tem nos dado (Atos 20:35; 1 Coríntios 13:3; 2 Coríntios 9:7).
Deus conhece o nosso coração e sabe do que precisamos, mas também sabe do que queremos e às vezes as coisas não se casam, podemos querer algo estando alinhados com o querer de Deus e então isso se torna o que precisamos, mas quando tentamos convencer a Deus de algo que queremos de maneira egoísta somente para satisfazermos as nossas vontades isso se torna um problema em nosso relacionamento com o Pai, pois isso na verdade não é o que precisamos segundo os seus critérios (Provérbios 11:24,25; Mateus 6:20, 1 Timóteo 6:18,19). Dessa forma temos que lidar com a questão do desejo e da necessidade. Seria mais ou menos assim, queremos um carro para ir ao nosso trabalho, igreja e lazer, mas há vários tipos de carros, o meu desejo quer aquele carro novo da propaganda, mas nem sempre Deus quer me dar, pelo menos nesse momento, talvez Deus queira me dar um que seja mais econômico, que caiba no meu orçamento, que sobre também para que meu dinheiro comprometido seja investido na casa, família, missões, certo? Mas não está errado em querer o melhor, pois de acordo com a realidade de cada um Deus dará (Jó 1:20-22; Salmos 34:9,10; Jeremias 27:5; Mateus 6:31-33; Filipenses 4:19).
A Bíblia diz: Agrada-te do Senhor e Ele satisfará os desejos do teu coração (Salmos 37:4). Deus quer que eu haja segundo a Sua orientação, pois o que fazemos, o que compramos deve passar pelo seu crivo. Portanto, ser próspero está muito mais diretamente relacionado à forma que lidamos com as coisas do que propriamente possuí-las, é estar aberto para que Deus estabeleça o que Ele quer me dar, quando quer me dar e compartilharmos isso com os demais para que outros sejam abençoados por Deus através de nossas vidas. Outra faceta desse ponto é que dar exige renúncia, refletir acerca do que você tem e como isso pode ser benção para os outros. Jesus agiu assim e em sentido muito mais ampliado, não foi um bem material usado que Ele deu a alguém, mas deu-se a si mesmo, morreu em favor de nós e esse é o maior exemplo (João 3:16; 15:13; Romanos 5:6; 8:32; Gálatas 1:4; Efésios 5:2, Tito 2:14 1 João 3:16 e Apocalipse 1:5). Quantos de nós compramos coisas, como roupas, comida, objetos, celulares, TVs, computadores, desperdiçamos os noventa por cento que ficam conosco e deixamos em um canto do armário sem utilidade essas coisas que em um primeiro momento são tão valiosas e num outro passam a ser descartáveis, enquanto há pessoas que nem sequer tem algo que vestir, comer ou calçar!
Às vezes estamos no supermercado ou na loja de departamentos e por impulso e portando uma arma poderosa, o cartão de crédito, compramos algo que está na promoção, mas não precisamos e Deus ali do lado esperando para ser consultado; é como se Deus quisesse intervir, mas a gente muito cheio de controle, sabendo o que está fazendo não ouvimos (Provérbios 2;3 e 4). Sabe, depois disso culpamos a satanás e queremos que Deus nos socorra pedindo um milagre porque dizemos que o devorador comeu tudo (Provérbios 4:20; 14:15; 16:20; Malaquias 3:6-18). Mais do que apenas colocarmos as nossas ofertas no gasofiláceo (envelope) devemos estar seriamente comprometidos com o mover de Deus e isso acontece não apenas dentro das quatro paredes do templo, salão onde nos reunimos; o mover de Deus atua sobre nossas escolhas, nossas decisões lá fora quando estamos sozinhos, sem igreja (corpo de Cristo ou salão), em nosso trabalho, enfim e isso é permitir que sejamos prósperos, pois é uma via de mão dupla, Deus quer agir e nos dar para que possamos ser multiplicadores dessa idéia; mas como receber se em muitos casos desperdiçamos? Não gostaria de ser trágico e desgastante nesse ponto, mas enquanto colocamos as sobras de comidas no lixo há irmãos nossos no Haiti nesse momento comendo bolos feitos de barro e… Servimos o mesmo Deus! isso não é para questionarmos o amor de Deus sobre eles, mas o nosso senso de responsabilidade e consciência como Igreja, como temos em abundância e não sabemos lidar com isso. Lembremos do apelo que Paulo fez a igreja gentia aos irmãos necessitados da Judéia (1 Coríntios 16:1-4; 2 Coríntios 8 e 9) e isto não está nada longe de nossa realidade.
Para terminar esse ponto queria tratar de que só damos ou somos motivados a dar a partir do momento de que temos ciência da necessidade alheia, saber que há pessoas que precisam e isso não significa que devemos ir longe a outro país; os noticiários despejam notícias cada vez piores sobre as necessidades humanas, em nosso estado, cidade e bairro, mas andamos e voamos tão rápido, temos tantos afazeres que nem percebemos o mundo ao nosso redor, nos tornamos insensíveis e não nos damos conta, estamos cansados e queremos dormir para acordar e trabalhar, mas paralelamente a isso há os que esperam o dia seguinte acordados sem ter onde reclinar a cabeça sem perspectiva alguma. Parar e olhar isso se chama pró-atividade no reino de Deus, ouvir a Deus e intervir no meio e isso é o oposto de passividade, como se sempre estivéssemos prontos a receber. David, o rei de Israel é um exemplo disso, pois agiu conforme as suas condições e à medida que foi andando ao encontro da vontade de Deus as coisas foram acontecendo. Em um primeiro momento as ferramentas eram pedras, uma funda e um desejo profundo de defender Deus, posteriormente Deus foi lhe dando mais e mais condições para alcançar outros objetivos (1 Samuel 16; 17; 2 Samuel 2:1-7; 7;8; 11 a 15). É mais ou menos assim conosco. Temos coisas a conquistar, num momento avançamos e em outro retrocedemos, mas novamente nos mexemos e não nos conformamos. Podemos pecar, cair, mas não nos conformamos com nossa inclinação para isso, nos antecipamos, não ficamos com os braços cruzados esperando que as coisas aconteçam.
Jesus agia de maneira pró-ativa, ia e as coisas aconteciam, se deslocava, estava no meio do doente, do faminto, do excluído não esperando que se lhe batessem a porta (Mateus 8:1-4; 12:9-14; Marcos 2:1-12; 5:1-14 Lucas 4:37-44; 9:37-45). Jesus não usurpou para si a Glória, mas dividiu, compartilhou, abençoou (Mateus 5:6; João 8:54; 12:28; 15:8; 16:14; 17:1,4,5,10; Hebreus 5:5). Nós que somos ministros de louvor precisamos estar cheios dessa generosidade que damos não o que não temos, mas o que temos e, Deus não quer mais do que isso. Pensemos nosso ministério fora da casinha, somos mais que cantores e tocadores, antes de tudo somos cristãos. Peço que reflita sobre isso, e quando você dizimar e ofertar pense no que significa a sua atitude. Às vezes pensamos que Deus precisa de nosso dinheiro; não, Ele não precisa, Deus precisa do nosso coração, caso eu não oferte ou dizime Deus não deixará de agir por causa disso, a sua obra não pára, muito menos pensemos que podemos barganhar com Deus por causa de míseros dez por cento, devemos sim, rever nossos conceitos de dar, pois se isso é feito de forma consciente e de acordo com nosso entendimento através das Escrituras iremos perceber que quem deixa de ser abençoado somos nós, nós é que crescemos com isto. Quando investimos no Reino de Deus e nas pessoas estamos fazendo com que esse Reino se expanda e somos parte disso ou não. É como construir a sua casa, você não apenas paga os pedreiros e quando a casa está pronta você aparece com sua família e passa a morar lá. Caso construamos uma casa queremos acompanhar as fases, se as pessoas que estão ali estão trabalhando bem, se estão fazendo a coisa certa, as modificações que queremos fazer e vamos aos poucos tornando parte disso e então quando entrarmos em nossa casa lembraremos de detalhes que não podem ser percebidos depois de pronta, mas que acompanhamos desde o início. O Reino de Deus também é assim, precisamos ser dele participantes, sermos agentes de transformação e isso passa pela questão dos dízimos e ofertas também, por incrível que pareça.
11) Compromisso com a igreja local
Outro assunto pertinente é o que diz respeito ao compromisso e identidade com a igreja local. Os ministros de louvor são bem mais do que meros tocadores, cantores e isso nós já falamos, de outra maneira não precisaríamos ter uma equipe na igreja local, mas contrataríamos gente de fora para fazer o momento do louvor, pagaríamos o cachê e tudo certo. Mas não é assim que as coisas funcionam, embora em muitos casos pareçam funcionar assim. Às vezes o grupo parece mais um bando de alienígenas que apenas surge numa nave espacial do planeta cadeiras em que estão sentados e depois voltam mecanicamente para o mesmo planeta cadeiras. Suas mentes e corações estão em outro lugar, no planeta trabalho, no planeta problema, no planeta segunda-feira, no planeta contas para pagar, no planeta tô com sono e outros tantos desse enorme sistema solar que é nossa vida. Enfim, essa interação que vai além do tocar é fundamental para nossa sobrevivência.
Gostaria de esclarecer para quem ainda não entendeu sobre o que estou falando: Quando me refiro a igreja local o faço em contraposição a Igreja corpo de Cristo que vai além da questão denominacional e está espalhada por esse enorme planeta, também não me refiro a Igreja mãe e que em alguns casos sustenta a igreja em que estamos inseridos. Com igreja local quero dizer, então, aquela em que congregamos fielmente, ofertamos de forma consciente, estamos debaixo e reconhecemos a autoridade investida por Deus a nosso pastor e liderança, freqüentamos os cultos de forma ativa, tendo conhecimento dos projetos e sonhos e ajudando nisso, tendo comunhão efetiva, enfim. Nós como ministros de louvor não podemos de forma absoluta nos contentar com a nossa participação nos ensaios e cultos como se isso fosse muito, devemos interagir criando identidade e senso de coletividade. Isso é fundamental para nós, mas muito mais para os que futuramente passarão a integrar-se em nossa comunidade (João 8:31; 15:8). Temos que ter em mente que se estamos em determinado lugar é para que cresçamos e frutifiquemos (Salmos 1:3; Mateus 3:10; 13:23; Lucas 13:6; João 12:24; 15).
Nossa igreja local não é apenas um lugar aconchegante para uma meia dúzia de pessoas que tem afinidades comuns é, sobretudo para aqueles com quem também não temos afinidades, os problemáticos, os difíceis de lidar, os pobres de espírito e materialmente, mas também, para todos os que querem conhecer a Deus e serem úteis no reino (1 Coríntios 6:1:11; Gálatas 6; Efésios 4:17-32; Filipenses 2). A igreja cresce e precisamos ser referência para os que são de fora, precisam ver que há um Deus uno e que andamos em um mesmo parecer apesar das divergências (2 Coríntios 13:11). Isso pode parecer contraditório, mas os ajustes acontecem também não em curto prazo, mas acontecem ou como poderão andar dois juntos se não concordarem entre si (Amós 3:3)? Quanto mais uma Igreja! Mais uma vez é importante frisar que o ministério de louvor se quiser ser assim chamado precisa sair da casinha da mesmice do cantar e tocar, pois isso é o exterior, mas ampliar os horizontes permitindo que Deus haja através de nós. Comprometer-se com a Igreja local é perguntar se alguém precisa de alguma coisa, o que posso fazer, como podemos melhorar. Sobre o que mencionei acima a respeito de irmos aos cultos isso no mínimo é nossa obrigação, mas com certeza Deus prefere obediência a que se façam sacrifícios, nada forçado para Deus é agradável, deve ser espontâneo (1 Samuel 15:22). De outra maneira nossa motivação está completamente fora de foco. Se vamos ao culto ou a escola bíblica apenas para tocar no louvor esse foco é completamente equivocado, eu e você não precisamos ser constrangidos a fazer uma coisa para que possamos fazer outra. Mas por causa do nosso coração é que precisamos ser submetidos a certas regras (Provérbios 2:2; 4:23; Eclesiastes 8:5; Hebreus 3:8; Apocalipse 2:23).
12) Consciência missionária
O primeiro grande passo para se ter consciência missionária é estar impregnado disso, essa questão que em nossas igrejas parece tão distante e que por isso mesmo precisa ser constantemente trazida em nossos cultos. Durante muito tempo se pensou que ter consciência missionária era apenas um ato litúrgico, escolhia-se um mês do ano para missões e nesse mês todos estavam envolvidos com a chama missionária, chamava-se um preletor, algum missionário, fazíamos um culto especial, levantávamos um clamor por missões, e que Deus levantasse homens e mulheres para o campo missionário, a oferta era específica nesse dia para esse fim e no final do culto um apelo sobre tal questão. Durante algumas semanas a igreja estava cheia e transbordante de missões, mas quando os meses iam se passando o desejo ia pouco a pouco se esvaindo, mas no ano seguinte às vésperas do mês missionário tudo de novo de repetia como um ciclo vicioso. É interessante que na igreja local muitos eram desafiados a isso. O discurso era: Se você sente esse chamado, vá! Mas se você não puder ir, contribua e em último, se não puder contribuir, ore. A maioria ia por esse caminho, muitos contribuíam esporadicamente para dizerem que estavam fazendo algo, aqueles que não queriam orar… Mas consciência missionária é isso? Algo que ocorre uma vez ao mês como se fosse o bastante?
Lembro de certa vez que eu estava em uma igreja e o domingo era bem esse, o pregador se comoveu pela iniciativa de um grupo de europeus que fundaram a sua denominação, pessoas que saíram de suas casas e vieram para o Brasil no início do século XX. Passados quase cem anos a igreja estava estagnada e nem sequer alguém se mexia em relação a missões. O culto missionário estava voltado para o passado, lembranças do que os desbravadores fizeram, mas e hoje o que se está fazendo? O culto missionário de uma vez por ano se tornou um memorial para aquela igreja. Lembro que naquela época eu estava mantendo contato com vários grupos missionários na Ásia e áfrica e aquilo ao mesmo tempo me indignava e me causava consternação. Mas o que nós, ministros de louvor temos haver com isso? Já passou pela sua cabeça esse tipo de pergunta?
Não vemos no ministério de Jesus nenhum indício de que Ele ministrava louvor ou coisa parecida, mas Ele tinha intimidade com o Pai (João 3:35; 5:20; Hebreus 1) e dentre as suas atribuições estava o ensino e um zelo especial por missões (Mateus 4:23; 5:19; 15:9; 28:20), é lógico que não com o mesmo conceito que temos, mas para que a Verdade chegasse a nós hoje, Jesus priorizou essa questão do “ide”, ainda que sua área de atuação fosse apenas à região da Palestina proclamando um boa notícia para as pessoas (Marcos 10:1;17;32;46). A missão de Jesus foi a de anunciar tal boa notícia de arrependimento e salvação e alcançou o extremo da morte no calvário (Mateus 26:36-46). Seus seguidores entenderam isso e comunicaram às gerações que vieram após eles (Marcos 16:19,20). Isso chega a nós para que passemos a diante, por isso o louvor possui caráter proclamador das Boas Novas do Reino de Deus, quando exaltamos ao nome Santo do Senhor o fazemos reconhecendo a sua Glória e anunciamos isso às pessoas para que também possam adorar ao Pai em espírito e em verdade, pois é assim que os verdadeiros adoradores se comportam (João 4:1-42).
Devemos ter em mente de que a Salvação nos alcançou e por que houve alguém que orou por nós, alguém que nos comunicou a mensagem que nos torna livres, alguém que nos foi o ombro amigo e temos isso como gratidão pelo amor de Deus derramado em nossos corações. Ter consciência missionária é comprar a idéia de que isso está no coração de Deus. Podemos contribuir, orar e ir mas o façamos com coração ardente, façamos diariamente e não apenas uma vez por ano, demos com generosidade, dando o que Deus tocar em nossos corações entendendo que o pouco que retemos é muito para quem deixa de receber. Escrevamos para as pessoas que estão em outros países, que possam sentir-se amados e que do outro lado do mundo há pessoas que se importam com eles; Paulo fazia isso aos seus amigos recém-convertidos (1 Coríntios 1:1-9;16:19-24; Gálatas 1:1-5; Efésios 1; 6:21-24). Mais do que uma junta de missões quem está no campo missionário quer se relacionar com pessoas e quer personalizar esse vínculo, afinal a Igreja são as pessoas. Isabel, minha esposa e eu estivemos por um ano como voluntários em uma agência missionária e era muito bom receber correspondências de nossos amigos e irmãos ainda que fosse apenas uma folha dizendo que estavam orando por nós. Quando o correio chegava esperávamos ansiosamente pela nossa carta. Consciência missionária é algo que deve estar sim em nossos corações, por isso compremos essa idéia.
13) Obediência x Rebeldia
A Bíblia nos ensina que a rebelião se compara ao pecado da feitiçaria (1 Samuel 15:23). Um feiticeiro é um agente do mal, um copiador de Deus; ele age de forma independente e não se sujeita às autoridades que foram constituídas por Deus (Salmo 66:7). A atitude de rebeldia nem sempre se apresenta de forma perversa aos olhos de quem convive com o rebelde, às vezes as suas más intenções são revestidas de idéias que aparentemente são boas, mas que no fundo são cheias de maldade (2 Coríntios 11:1-15). Grupos paralelos se formam e a arrogância é parte da mente rebelde. Idéias de que posso fazer melhor que o outro e que tudo deve ser criticado sem um equilíbrio é característica desse perfil (2 Pedro 2:10).
Nem sempre concordamos com tudo, isto é um fato e a autoridade imposta também não é bem vinda. Sabemos que líderes e liderados para manter um relacionamento saudável precisam dialogar e nessa questão abrir mão de perspectivas ou não fica em jogo em detrimento da coletividade. Nem sempre o que queremos é bom para o grupo e até mesmo dentro da equipe pessoas tem uma visão mais ampliada de melhoria que pode ajudar no crescimento de todos. O líder por sua vez deve ser sóbrio para trabalhar com as diferenças, ser maduro e humilde, de outra maneira será contestado por cobrar coisas que não faz. No desejo de obter resultados e na inabilidade em lidar com um grupo formado por diferentes nuances às vezes acaba por não conseguir alcançar seus objetivos. Os subordinados na ânsia de ver o grupo crescer podem insatisfeitos criar um problema de insubordinação principalmente quando o líder ou possui uma atitude autoritária ou é alguém desorganizado e sem diretriz, ele é um líder estabelecido por alguém, mas não tem competência para tanto. Isso não justifica a rebeldia, mas deve haver negociação constante para que todos cheguem a um acordo (Romanos 13:1; Colossenses 4:1; 1 Pedro 2:13). Devemos considerar que há coisas negociáveis, mas há coisas delegadas, não impostas, ou seja, o líder diz o que deve ser, direciona com base em uma análise própria e prudente do contexto. A responsabilidade é de todos, mas ele é o líder e responderá de acordo com o que lhe foi dado, a quem muito foi dado, desse também haverá cobrança proporcional (Lucas 12:48). Um líder não está na posição por receber um título, mas deve ser por competência de estar lá, deve ter metas, objetivos, conhecer os seus subordinados e com eles se relacionar, deve saber dizer não ou sim e sustentar sua posição, mesmo em sua ausência seu grupo se manterá fiel porque confia nele e isso é recíproco. Um líder não tem medo de perder sua posição, pois sabe que se foi colocado por Deus, só Deus poderá tirá-lo. Em momento algum deve se achar auto-suficiente, mas dependente do mover de Deus. Sua consciência de responsabilidade é o que faz permanecer como líder e a sua lucidez é marcada pela compreensão que tem de fazer sucessores, pessoas que direcionadas por Deus, irão substituí-lo mais cedo ou mais tarde (Mateus 20:17).
14) Responsabilidade
A nossa responsabilidade como ministros de louvor é, na verdade uma continuidade das mais diversas formas de responsabilidades que temos em outras áreas de nossa vida, responsabilidade na escola, no trabalho, na família (1 Coríntios 3:10-17; Efésios 5:22-36; 6:1-9; 1 Timóteo 3:1-16; 1 Timóteo 6:1,2,11-19). Se não somos responsáveis em um contexto isso é repassado para outro e não podemos mesmo que queiramos separar as coisas. A responsabilidade está condicionada ao valor que damos as coisas, um valor equilibrado é claro, no sentido de que fazemos algo ou cuidamos de um bem por que isso é representativo para nós. Com isto se eu e você somos responsáveis por um instrumento, um objeto, significa que queremos principalmente se ele é nosso, que a vida útil seja estendida ao máximo. Esse é um exemplo simples, mas que denuncia o nosso cuidado pelas coisas alheias e principalmente as coisas de Deus. Cada músico é responsável além dos objetos que utiliza, seja microfone, violão, guitarra… Também uns pelos outros (Filemon 8-21; Tiago 2:1-13; 2 João 4-13). Isso quer dizer que devemos orar e nos preocupar uns com os outros, ajudar uns aos outros em suas fraquezas e nos momentos de desânimo suportar uns aos outros em amor, pois é assim que a Bíblia nos orienta (Efésios 4:2). Não deveríamos nem mencionar a questão de responsabilidade com horários e compromissos com o louvor, mas para que fique claro se eu e você aceitamos participar de um grupo ou ministério devemos nos enquadrar em regras básicas para o bem da coletividade, se escolhemos horários para ensaiar é por que isso foi acordado para o bem comum e ainda mais se estamos sendo parte de um ministério esse é o nosso compromisso primeiro, não significa que estaremos sendo extremistas se levarmos em conta que cada um tem as suas limitações e contratempos e eventualmente não poderá participar do louvor, mas o fato de não estar tocando juntamente com os demais não significa que não vai estar adorando e celebrando. O zelo pelos instrumentos faz parte da responsabilidade e isso deve ser uma escola para os demais que participarão do ministério para que possam aprender como as coisas acontecem e não porque é assim e pronto, mas para crescimento de cada um nas mais diversas áreas da vida.
15) Maturidade espiritual e equilíbrio
Maturidade espiritual é algo que falamos em nossas igrejas, mas o que realmente significa ser maduro espiritual? Para uns talvez seja usar terno e gravata, para outros, utilizar um vocabulário evangeliquez (Mateus 15:11,17), para outros ser o primeiro a chegar ao culto e o último a sair, para outros ainda, dar os centavos do dízimo (Mateus 23:23), mas em tudo isso estamos falando de forma mais do que de conteúdo, talvez possamos ter em todas essas coisas mencionadas uma pitada de maturidade espiritual, mas que não necessariamente seja isso.
A maturidade espiritual é exatamente proporcionar ao nosso espírito o nível de maturidade, ou ser maduro segundo a direção do Espírito Santo, o próprio Deus. Mas ninguém dorme verde e amanhece maduro; consiste em um processo, de médio e longo prazo e ás vezes não temos habilidade para lidar com isso, pensamos por que sabemos um pouco de Bíblia ou temos vários anos de igreja ou porque somos mais velhos e experientes que somos mais maduros que os outros e isso sem querer se transforma em julgamento (Mateus 7:1), o equilíbrio é parceiro da maturidade espiritual, pois à medida que crescemos e amadurecemos vamos descobrindo as nossas falhas e como lidar com elas.
Como um ser humano que cresce com deficiência de vitaminas, proteínas e outros elementos necessários a um crescimento saudável, por exemplo, a presença da vitamina A é fundamental para a nossa visão e não é muito diferente em nosso crescimento espiritual, às vezes temos deficiência em nossa visão, olhamos para nós e olhamos os outros, nos comparamos, nos usamos como parâmetro de modelo e referência. O crescimento espiritual está vinculado ao nosso relacionamento com os outros e como lidamos quando para crescer temos que estar sujeitos a nos encararmos como estando em crescimento e não já crescidos, há um alvo, a estatura de Varão Perfeito (Efésios 4:13) e não podemos desconsiderar que uma árvore para crescer e frutificar precisa ser podada (João 15:1-8) e essa é a parte que normalmente não gostamos de ler na Bíblia. O crescimento não é linear, sem contradições, mas repleto de avanços e regressos, pausas, avanços, rápidos ora avanços lentos, mais pausas e é assim que crescemos. Nós como ministros de louvor temos de estar abertos a isso e é nesse processo de não extremos, mas de equilíbrio que crescemos, avançamos e vamos dando fruto à medida que vamos em direção a Deus.
Um grande erro que nos assola, músicos é o assédio que sofremos por acharmos que tocamos bem ou cantamos melhor que qualquer um na igreja, somos tentados à medida que não temos aparentemente ninguém a nossa altura que somos insubstituíveis e com isto vem outra questão, a de que somos donos de nossos instrumentos e isso é um grande engano do qual temos que nos livrar caso isso já esteja em nossos corações ou nem permitir que tal pensamento seja cogitado por nós. Somos dependentes de Deus e o que fazemos, nossos dons, habilidades e talentos de nada valem se o foco não for a glorificação de Deus. Nesse sentido devemos estar cônscios de que estamos onde Deus deseja, ou seja, mais do que sermos ministros de louvor estamos ministros de louvor e podemos ficar muito ou pouco tempo nesse ministério e isso depende de Deus e de como estamos abertos a isso. Duas coisas bem interessantes que podem ajudar nesse processo seriam: a primeira, a igreja local trabalhar com pelos menos duas equipes de louvor (percebam, não são dois ministérios, pois esse é um só, mas duas equipes) não com a finalidade de estimular a competição, mas para que a igreja e as equipes cresçam com isso, é lógico que haverá comparações, mas como as equipes são uma só isso será saudável. Equipes mistas que se intercalem que ficam sentadas no banco adorando de lá e porque o ministério não é de ninguém, é de Deus. Às vezes ficamos tanto tempo lá na frente que o dia em que somos orientados a ficar sentados, isso se torna um problema. Por isso a outra sugestão é que mesmo com uma equipe apenas, caso haja mais de um músico ao invés de colocar todos lá na frente haja revezamento para exercitar isso. A prova dos nove é: caso um músico se sinta ofendido por não tocar é um bom sinal para refletir suas motivações.
16) Fruto do Espírito
A Bíblia nos ensina que o fruto do Espírito é: Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio… (Gálatas 5:22,23). A importância disso é que o fruto é fundamental para o exercício da nossa vida cristã. O fruto do Espírito é recomendado para nós e é com base nele que poderemos nos aproximar de Deus. Os dons são fundamentais (1 Coríntios 12:8-11), entretanto, é o fruto que, diga-se de passagem é do Espírito, que devemos ter em equilíbrio. Podemos falar em outras línguas e profetizar, mas se não tivermos amor isso de nada valeria (1 Coríntios 13:1); muitos poderão conhecer a Deus por intermédio de nossos dons espirituais mas isso pode apenas ser uma porta de entrada mas não há garantias de que seja uma forma de se permanecer na fé.
Assim como os dons são externados, o fruto é nosso contato externo com as pessoas. Vivemos um momento em nosso mundo em que as palavras só valem quando vividas e isso cada vez mais nos é exigido; muitos já ouviram falar que Jesus salva, Morreu pela humanidade e que Ele é o Senhor, porém o descrédito dessa verdade fica por nossa conta. Quantas pessoas têm quase chegado lá, mas param no meio do caminho por causa da incoerência entre o que dizem e vivem os que se identificam como cristãos?
Nós, que ministramos louvor temos que ter em nossas mentes a questão básica de que somos muito visados, todos olham para nós ora como referência querendo trilhar nossos passos e isso é bíblico, o próprio apóstolo Paulo nos orienta de que os seus contemporâneos deveriam ser seus imitadores como ele era de Cristo (Filipenses 3:17); outros, por sua vez, querem nos pegar em nossas falhas e nos acusar invalidando o evangelho de Deus. Nossa relação de intimidade com Deus pode nos proporcionar a aproximação de muitas pessoas a Deus, e com nossas vidas colocar por terra qualquer tipo de acusação. Não nos preocupamos com as inverdades por que vivemos na Verdade. Reconhecer as nossas limitações é um passo fundamental em nosso processo de conhecimento de Deus e crescemos em meio aos desafios que se apresentam a nós. Seria mais fácil nos entocarmos em uma caverna e viver em meditação numa busca ascética por Deus, no entanto é no dia-a-dia, com pessoas, nos momentos frágeis e que precisamos desesperadamente de Deus é que podemos nos aproximar d’Ele. Isso significa trabalhar a nossa personalidade, as nossas emoções, inclinações e medos. Isso é exercitar o fruto do Espírito.
17) Excelência no que se faz
Ser excelente no que é bom e inocente para o mal (Romanos 16:19). Essa é uma palavra fundamental para que exerçamos o nosso ministério. O resultado é que o Deus de paz esmagará o diabo debaixo de nossos pés (Romanos 16:20). Às vezes podemos entender esse texto de maneira equivocada, principalmente quando desconsideramos a ordem das coisas. Achamos que nós iremos esmagar a satanás com base na nossa força ou na nossa dedicação. No entanto o foco que nos é dado trata de que devemos nos preocupar em sermos excelentes deixando que Deus se encarregue de esmagar a satanás debaixo de nossos pés. Os pés são nossos, mas estão debaixo da autoridade de Deus, por isso e somente por isso é que satanás pode ser esmagado. Para nós ministros de louvor a excelência consiste em fazer bem o que está em nossa responsabilidade, o que nos foi delegado por Deus.
Fazer algo com excelência é dar o máximo de si no exercício de uma atividade e quando se tratam de coisas que remetem a Deus, a nossa responsabilidade e consciência devem ser elevadas em maior grau, pois de outra forma nosso sacrifício oferecido perde o sentido e torna-se maldição sobre nós e então… maldito o que faz com negligência o trabalho do Senhor… (Jeremias 48:10), é uma palavra forte para todos nós, mas que tenhamos em mente que é nesse contexto que nos inserimos.
Portanto, aquele que canta preocupe-se em cantar bem e isso excede o momento propriamente dito do louvor. Significa que alguns de nós pensamos que cantamos, afinal de contas todo mundo canta, no entanto, devemos considerar que nossa vocação deve ir além do comum, sabemos que Deus considera o coração e que mais preocupado com sacrifícios ele prefere a obediência (1 Samuel 15:22), porém, a partir do momento em que temos entendimento do que fazemos, devemos desenvolver as nossas habilidades.
Voltemos a questão do que canta: Alguns de nós, queremos ser cantores, mas não temos nenhum tipo de habilidade para cantar, desafinamos até em pensamento, mas isso não significa que não podemos nos inserir no ministério. Cada caso deve ser tratado de forma individualizada. Não estamos procurando estrelas, mas corações sedentos em adorar e que possam ser alinhados com nossas habilidades, com isto podemos ter pessoas que precisam de estudo, dedicação, fazer aulas de teoria musical com profissionais da área e investir caso creia que isso seja seu chamado, a mesma situação ocorre para os instrumentistas. Por outro lado, conhecemos pessoas que nasceram com o ouvido extremamente afinado, tocam qualquer instrumento e cantam muito bem e, no entanto, isso apenas não basta, precisa haver mesmo assim o aprimoramento constante, o estudo, a busca da técnica e com isso também um equilíbrio no que tange todas as questões anteriormente abordadas (Palavra de Deus, oração, comunhão…), ou seja, é um conjunto de fatores que vai manifestar quem realmente nós somos, se apenas um grupo ou um ministério de fato. É lógico que todas essas coisas entrelaçadas não ocorrem de maneira instantânea, pois assim como nem todos estão no mesmo nível de entendimento da prática de nossa fé, e o apóstolo Paulo nos exorta a sermos pacientes com os demais (2 Timóteo 2:24), as habilidades musicais também se constroem com o tempo.
Por fim, é muito comum em nossas igrejas que os músicos se dediquem de forma exclusiva a seu ministério, é muito difícil vermos pessoas envolvidas ao mesmo tempo com a música e com discipulado, ou ensino, evangelismo e isso é um tabu que precisa ser quebrado, pois não somos apenas músicos, mas somos comprometidos com algo mais amplo e ser excelente também passa por isso. Não podemos ser pessoas que apenas tocam e somos alienados das demais coisas. É dessa forma que satanás será esmagado por Deus, debaixo de nossos pés, através da nossa excelência ampliada nas mais diversas direções onde Deus queira nos usar para a Glória de Seu Nome.
Considerações Finais
Louvar a Deus é um privilégio imensurável. Expressar gratidão pelos seus feitos, seu amor, seu poder e misericórdia é o mínimo que podemos fazer. Adorá-lo deve ser uma prática de todo aquele que passa a entender o Seu profundo amor pela humanidade, não se restringindo a um grupo ou ministério. No entanto como estamos em um processo contínuo de aprendizado temos consciência de que há aqueles que desejam aprofundar-se em adoração, conhecendo mais e mais de Deus. A Palavra de Deus nos chama com insistência a seguirmos em direção ao alvo, a presença de Deus, que cresçamos e não fiquemos estagnados, mas cheguemos à estatura de Jesus. Quando pensamos em louvor, também o fazemos em todas as dimensões que podem nos aproximar de Deus, pois, muito mais que apenas tocar um instrumento ou cantar nosso ato de louvor se configura em uma trama muito mais profunda do que podemos imaginar.
Diante do exposto, quando insistimos em tratar de nossas competências nossa intenção é a de propor um entendimento ampliado acerca do que fora tratado. Nosso objetivo maior com isto é demonstrar a abrangência de nosso ministério que se comprometido com os valores acima trabalhados podem nos fazer mais do que apenas um grupo, mas um ministério de fato, indo para além do púlpito, descendo no meio da congregação e com ela subindo a Deus. Isso significa que compreendemos a nossa vocação estendida a todo que queira seguir esse caminho. Mas para isso somos chamados a conhecer a Palavra de Deus para ministrá-la ao coração sedento, ao caído e ajudá-lo a compreender que tipo de adoração Deus merece receber. Temos que orar para vermos as coisas que são de outro nível a nós incompreensível, tornarem-se milagres.
Para tanto precisamos abrir mão de nossas vontades e desejos renunciando a nós mesmos para que possamos não perder os passos do mestre de nossa vista e isso inclui compreender que nossa luta não é carnal e para isso precisamos lutar com as armas certas e uma delas é o jejum que se bem compreendido se torna um aliado poderoso em nossa luta contra o mal que nos assedia continuamente. Mas uma vida de louvor não se faz sozinha, precisamos de pessoas e é por isso que somos Igreja, a noiva, que em seu conjunto irá subir, consciência esta que deve ser disseminada para que possamos juntos nos fortalecer e sustentar em amor, que é o grande vínculo da paz.
À medida que nos enchemos de Deus amadurecemos espiritualmente e compreendemos por que devemos seguir a Verdade que nos liberta dia-a-dia e com isto acrescentamos valores que antes para nós eram desconsiderados, passamos a olhar com os olhos de Deus e vamos sendo contagiados com princípios como o do “Ide” e não podemos ficar imóveis ante as pessoas que vão para o inferno, pois vamos nos tornando responsáveis pelo que lemos na Palavra de Deus e constatamos ao olharmos ao nosso redor.
Talvez tudo isso seja algo idealizado, utopia, no sentido mais restrito do conceito, um “não lugar”, mas podemos rever nossos conceitos e atrairmos Deus à medida que nos deixamos ser atraídos por Ele que nos quer perto vivendo numa dimensão do possível em que possamos todos dizer: “Santo, Santo, Santo, é o Cordeiro… Eu e você somos chamados a isto, a ministrarmos a Deus, a tocarmos o coração do Pai, foi a isso que Ele chamou a mim e a você. Por isso, Tudo o que tem vida louve ao Senhor! (Salmos 150:6)

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